4. Porque creio que Chico foi Kardec

      Os motivos que me levam a uma convicção pessoal de que Chico Xavier tenha sido a reencarnação de Allan Kardec tão numerosos e distintos são que passarei a expor alguns deles, sem o menor propósito de polemizar em torno do assunto.
     1) Tendo convivido com o médium por mais de 25 anos, não observei diferença significativa entre a sua personalidade e a do Codificador. Consideremos, segundo nos é dado depreender das informações prestadas pelos principais biógrafos de Kardec e dos escritos de sua própria lavra, que ambos eram, quando necessário, austeros e amáveis, determinados e bons.
     2) Chico Xavier - creio que todos concordam a respeito - foi o legítimo continuador de Kardec, no que tange ao desdobramento da Codificação e à tarefa de difundi-la, através da palavra e do exemplo.
     3) Após o 2 de abril de 1910, data do nascimento de Chico, o espírito de Allan Kardec não mais estabeleceu, ele mesmo, qualquer contato mediúnico confiável com os encarnados.
     4) O Espírito Verdade, coordenador espiritual da imensa equipe que o assessorava e um dos Protetores, havia lhe informado, em mais de uma ocasião, que, dentro de pouco tempo, ele tornaria a reencarnar para dar seqüência à obra encetada.
     5) O próprio Kardec, elaborando cálculos, deduziu que a sua volta à Terra se daria no final daquele século ou no começo do outro.
     6) Chico abraçou a mediunidade aos 17 anos de idade; os Espíritos haviam dito a Allan Kardec que, quando ele voltasse à Terra seria em condições que lhe permitissem trabalhar desde cedo.
     7) Emmanuel, um dos espíritos codificadores, foi, ao lado do Dr. Bezerra de Menezes e tantos outros, o coordenador da tarefa mediúnica de Chico Xavier.
     8) O Mentor da "Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas" fundada por Kardec, era São Luis; o do Centro Espírita de Pedro Leopoldo, fundado por Chico Xavier, é São Luis Gonzaga.
     9) Se Chico não foi a reencarnação do Codificador, conclui-se naturalmente que ele não reencarnou e que, portanto, o Espírito Verdade se enganou no que lhe disse, o que - convenhamos - colocaria em questão a sua condição espiritual.
     10) Se a Espiritualidade Superior tivesse mudado de planos - o que é inconcebível, depois de anunciá-los -, por que o grande silêncio de Allan Kardec, através da maior antena psíquica do século: Chico Xavier ?
    11) Chico, com freqüência, se referia a Jesus e aos Espíritos amigos, mas pouco mencionava o nome de Allan Kardec.
    12) Para os íntimos, Chico revelava um conhecimento da vida do Codificador que não encontramos em nenhuma de suas biografias. Contou a mim e a outros, por exemplo, que um de seus sobrinhos, após o seu desenlace, entrou na justiça reivindicando parte dos direitos autorais das obras da Codificação, o que, segundo o médium, atrasou a divulgação da Doutrina em 50 anos: coincidência ou não, Chico teve um sobrinho que lhe criou sérios problemas, em caluniosa difamação plenamente infundada.
     13) Chico não se casou e, embora Kardec tenha se consorciado, segundo o médium, ele e D. Amélie Gabrielle Lacomb Boudet, que era 9 anos mais idosa do que ele, cultivavam um amor puro: ela nutria por ele verdadeiro zelo maternal. Isto me foi dito pelo próprio Chico, conforme Dra. Marlene Rossi Severino Nobre, que também estava presente na ocasião, escreveu em um artigo da "Folha Espírita".
     14) Outras "coincidências" nos fazem pensar: Kardec desencarnou em 31 de março e foi sepultado no dia 2 de abril, data do nascimento de Chico Xavier, tendo o seu corpo ficado exposto à visitação pública durante 48 horas; o mesmo pedido foi feito por Chico Xavier aos seus amigos.
    15) Era hábito de Kardec efetuar doações financeiras a amigos em dificuldades, encaminhando-as em nome dos Bons Espíritos; o mesmo fazia Chico Xavier, inclusive empregando a mesma terminologia do Codificador. Diga-o quem, neste sentido, tenha sido beneficiado pelo médium.
     16) Existem fotos de Kardec e de Chico que poderiam ser sobrepostas, tal a semelhança de postura entre os dois; é espantosa a semelhança revelada entre as mãos de um e de outro, além do costume de Chico sempre usar paletó, mesmo sendo o Brasil um país de clima tropical.
     17) Em Uberaba, e acreditamos que em outras cidades, vários médiuns confirmavam que Chico era a reencarnação de Allan Kardec, inclusive notável medianeira Antusa Ferreira Martins, que era surda-muda e analfabeta, portanto incapaz de ser influenciada por especulações neste sentido.
     18) Entre os que contestam ser Chico a reencarnação de Kardec, há os que afirmam que o Codificador não teria sido tão tolerante quanto Chico o foi com o que lhe sucedia ao redor, envolvendo irmãos de ideal e outros, esquecendo-se de que, em "Obras Póstumas", o Codificador não hesita em confessar que a "Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas" havia se transformado em um foco de intrigas contra ele e que enfrentara inúmeros dissabores, inclusive traição.
     19) Chico jamais confirmou ser a reencarnação de Allan Kardec; ao contrário, quando não fazia questão de negá-lo, inclusive em entrevistas, respondia reticentemente em torno do assunto.
     20) Poderiam, perfeitamente, ser de Chico Xavier as seguintes palavras de Allan Kardec: "Sentia que não tinha tempo a perder e não perdi; nem em visitas inúteis, nem em cerimônias estéreis. Foi a obra de minha vida. Dei-lhe todo o meu tempo, sacrifiquei-lhe o meu repouso, a minha saúde, porque diante de mim o futuro estava escrito em letras irrecusáveis".
     21) Chico e Kardec eram assim: "Aos domingos - escrevia ainda Leymarie -, sobretudo nos últimos dias de sua vida, convidava amigos para jantar em sua Vila Ségur (Chico os convidava aos sábados, para almoçar). Então, o grave filósofo, depois de haver debatido os pontos mais difíceis e mais controvertidos da Doutrina, esforçava-se para entreter os convidados. Mostrava-se expansivo espalhando o bom-humor em todas as oportunidades".
    22) Kardec e Chico, acima de tudo, tinham e têm um acendrado compromisso com o Evangelho de Jesus, em sua obra e em sua vida.
     Ao terminar, esclareço que, sendo adepto de uma doutrina de livre expressão, qual o é o Espiritismo, reivindico para mim o direito de pensar como penso e deixo exarado neste testemunho, sem, evidentemente, negar a qualquer outro o direito de discordar de minhas convicções, sem que me sinta, necessariamente constrangido a transformar o assunto em polêmica sem proveito, com responder a objeções que o tempo, e somente o tempo, haverá de fazer.

(artigo extraído da revista "Goiás Espírita", ano 7, número 22, de maio de 2003)



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